ORPHEU Nº 3








































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88 notas ▪ Há 3 semanas  ▪ (source, via)


204 notas ▪ Há 3 semanas  ▪ (via)


"Eu não gosto muito de falar sobre mim, mas vou falar do quê? Que mais eu tenho? Quem mais conheço? Ultimamente tenho conversado com um personagem curioso, um tal de eu-mesmo. Ele não é assim… digamos… genial, contudo tem a mente demasiadamente simples – sabe-se lá se vamos descrevê-la como inconsciente ou límpida, digamos então que é sobretudo natural. Tenho-lhe indagado coisas de complexidades absurdas e o mesmo me tem respondido sempre tão prontamente com, na verdade, outras subjetivas perguntas. Noutras horas me vem supondo que o que eu deveria fazer para solucionar certas questões que tenho posto diante seus olhos é o óbvio – sim, ele tem o óbvio sempre à mão e o põe diante mim quando meus olhos o esquece. Mas que absurdo é este que estou a contar? Pois sente-se, que você me pediu que contasse sobre ela… Pois bem, eu não sabia o que fazer com as mãos naquele instante – e isso nunca mias me havia acontecido – pois foi por esse nervosismo que não quis demonstrar que tomei as mãos dela nas minhas… Foi um gesto que pareceu desesperado, então nos olhamos por algum tempo enquanto ela esperava alguma reação de minha parte que justificasse tal gesto. Pude elogiar as cores do seu esmalte até que a distraísse de conversas sobre mãos e evoluísse para outros assuntos, mas sem que fosse necessário soltar-lhe as mãos. E sabe, aquele tal de eu-mesmo, com toda sua inconsciência, estava certo ao dizer que o medo é uma invenção e que seria interessante conhecê-la de perto – sem o tal do medo dessa vez. E por mais que pudesse ser apavorante a ideia de beijá-la, eu descobri que os lábios mais freneticamente inefáveis e inefavelmente frenéticos (estou exagerando, céus) são aqueles lábios impossíveis, fora das conjecturas do óbvio. O óbvio é um mal, meu caro, o improvável é o que dita as regras da felicidade. Pois bem, voltemos a falar daquela encantadora senhorita. E caminhávamos de mãos dadas a conversar e foi quando descobri naquela mulher algo mais que a máscara tirana que a tantos incomoda. Descobri que as suas flores preferidas são as margaridas – que por ventura também são de meu agrado – e que é de seu costume comprar pássaros a fim de libertá-los. Não foi só isso, meu caro, mas poucos sabem o sorriso que aquela tem escondido, amarrotado por detrás de suas autoritárias feições. Tem mais, meu caro… pouquíssimos sabem o pouco que outrora lhe foi dado nesta vida, ou, se digo melhor, o muito de sofrimento que lhe foi oferecido. E fiquei também sabido de sua nudez, como também da graça que é vê-la despir-se de tudo, meu caro, até daquela medonha máscara, como também fiquei sabido de certas marcas do passado… Pois bem, ninguém sabe, além de mim e agora também o senhor, eu-mesmo – pois guarde bem os seus segredos –, pois aquela tem medo de ver de volta o que causou aquelas marcas. Ela sabe bem o que sentem os canários à venda perto do seu trabalho, e ela disse não ser mais um daqueles passarinhos dourados – que se não fossem tão belos e inocentes, talvez tivessem outra sorte –, mas sabe ainda um canto… um que tive a sorte de ouvir, naquele dia, de um encantador pássaro negro, despido, diante minha aguda inconsciência."

Mário Guanumbi, O IMPROVÁVEL DITA AS REGRAS DA FELICIDADE
6 notas ▪ Há 3 semanas 
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MEMÓRIA FALSA 

1 nota ▪ Há 1 mês 
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Anônimo: Estava vendo algumas postagens antigas do Coletivo poético e vi algumas suas. Em especial uma por título "Mar ria". Me lembrei que você tinha dito que não viu o mar. Nesse tempo pra cá, você viu ou ainda não?

Eu ainda não vi o mar. Triste, não? E é por esses e mais alguns outros motivos que não posso me considerar poeta.

0 notas ▪ Há 1 mês 


52.617 notas ▪ Há 1 mês  ▪ (source, via)


"Ah, eu também nunca vi o mar, Ana. Não sei se eu já contei (será que já?), mas eu também sou de Minas. Meu pai era doutor. Eu fui estudar medicina no Espírito Santo, mas juro, nunca vi o mar também. Já fui à praia. A primeira vez eu era jovem demais pra saber em que continente, numa tarde clara e fria, eu, papai mais alguns nativos caçávamos. O que isso tem a ver com você? Nada. Nós temos nada a ver. Mas o mar… nós não o conhecemos… Nisso nós nos entendemos. Você não foi a pessoa mais interessante que vi depois de ter voltado (não vi a cor dos seus olhos castanhos), não guardei seu nome nem tão facilmente seu rosto, mas hoje à tarde sentamos e conversamos e você disse. Nunca vimos o mar, então. Você disse e eu guardei aquelas palavras, daí eu vi seu rosto e guardei este também e a entonação da sua voz e a inocência com que você o dizia. Ah, Ana, eu também sou inocente. Eu também nunca vi o mar e só agora eu vi você. Eu tinha vergonha de contar, mas não tenho vergonha de contar pra você. Já cruzei um oceano em um cruzeiro, mas o mar de maneira alguma está em mim. Em que parte de minha memória ele foi parar? Ah, Ana… Vamos? Vamos conhecer o mar. Você me dirá quando abrir os olhos, daí eu verei de novo. A primeira pessoa que eu verei, depois de haver sido curado, será você. Preciso que seja você. Você é diferente, Ana. Você é estranha pra mim. Quando eu acordar eu só quero ter o mar de volta, mas certas coisas precisam continuar esquecidas. Você consegue compreender? O mar não está mais aqui (em mim) porque o mar de certo me lembraria qualquer coisa que me dói. Quando eu souber, novamente, do mar, quero que ele me lembre algo novo agora. Quero ver você, Ana. Vamos! Vamos perder essa nossa inocência. Eu não quero reconhecer o mar, eu quero conhecer, como se primeira vez, e ser um cara diferente, ser um dos caras que também possuem o mar. E eu quero te trazer pro lado bom de cá, Ana."

Mário Guanumbi, ANA E O MAR
11 notas ▪ Há 1 mês 
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"A oração pode salvar vidas."

2 notas ▪ Há 1 mês 
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8.342 notas ▪ Há 1 mês  ▪ (source, via)


"Não faz isso, meu bem
hoje é um dia triste, eu sei,
mas a sua vida não
deve ser resumida
em um dia triste.
Se você algum dia
já esteve bem,
não faça isso.
No final
Você tem os dias
que lhe foram brandos
e as dores também,
tudo com você,
mas muitas dessas dores
estarão ali
de outro jeito…
por umas
você terá o prazer de dizer:
passou…
por outras
o prazer de ter aprendido
algo
com aquilo que parecia

um pouco de morte.
Hoje é um dia triste, meu bem
mas não faça isso,
não vê?
Que sorte cê tem."

Daniel Canhoto, QUE SORTE CÊ TEM, MEU BEM
17 notas ▪ Há 1 mês 
 #poesia  #morte  #suicidio  #Deus  #Cristo  #amor  #poema  #escrevi


DESSE SEU JEITO 

Não siga o seu coração

Seja um pouco mais racional

Dando ouvido aos bons concelhos

Ou à intuição divina, se a pode “ouvir”.

Não seja você mesmo

Seja melhor do que isso

E não tente fazer apenas o que for possível

Tente o impossível de vez em quando.

Não finja,

Não minta…

Não perca o seu tempo com isso.

A vida

Que é só uma

Não é um teste

Você é desse jeito mesmo

Seja o melhor (im)possível

                Desse jeito mesmo. 

4 notas ▪ Há 1 mês 


1 nota ▪ Há 1 mês 
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"

Os olhos dela aparecem na cor do céu, zé.
Ela aparece deitada de costas
No formato que lembra o corpo dela
Naquela nuvem.
Ela tem a voz da brisa
E o cheiro dos lençóis.

Agora vai lá dizer pra ela, zé
Senão ela não te deixa em paz.

"

— (via stop-endo)
1 nota ▪ Há 1 mês  ▪ (via)


7.505 notas ▪ Há 1 mês  ▪ (source, via)