ORPHEU Nº 3








































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11.828 notas ▪ Há 3 dias  ▪ (source, via)


"Y éramos niños, y jugábamos, y soñábamos correr hasta volar, y volar hasta llegar al fin del mundo. Y éramos niños y lo hicimos sin saberlo…"

— Nadie (via stop-endo)
3 notas ▪ Há 3 dias  ▪ (via)


1.585 notas ▪ Há 4 dias  ▪ (source, via)


"Nunca mais faça isso, Clarice. Quando me pedem um texto, nunca sei como começar. Pois bem, sem romantismos ou minha breguice costumeira, este texto é p’ra você e começa, de fato, depois do ponto (nossa…). Hoje o dia foi mais longo que de costume. P’ra quem quase não dorme, o dia é sempre longo, mas hoje foi mais longo, Clarice. O dia tem o mesmo tamanho que tinha na infância de quem não olha pro tempo e não carrega relógio. Mas hoje, Clarice, eu senti que o dia ganhou algumas horas atemporais dentro da minha cabeça. Hoje eu te vi; vi seus olhos, Clarice… Depois de tantos anos, você tem os mesmos olhos… Quero dizer que, com os olhos, toquei os seus, e com o toque toquei o passado. Seus olhos me vieram do passado, seus olhos de menina puseram os pés no meu presente e bagunçaram os meus cabelos. Eu vi os seus olhos sorrirem, Clarice, mas ouvi a risada daquela garotinha sardenta, ladra de flores, do século passado. Seus olhos trouxeram a inocência de ontem, cristalizada. Seus olhos trouxeram os crisântemos… Seus olhos trouxeram alguns anos p’ra dentro do meu presente. Eu lembro agora, Clarice… Vi um garoto correndo dos cães, com a mão na sua, tentando correr, respirar e rir ao mesmo tempo. Eu lembro, Clarice. Um gurizin chamado Mário… Seus olhos me trouxeram lembranças de toda sorte. Lembrei que fugimos, tantas vezes, e isso foi-me agradável recordar, mas lembrei do que fugi… Lembrei de meus pais, Clarice… Hoje você me dizia que meus olhos não são mais os mesmos. Mas como pode, Clarice? Levei essas palavras p’ra casa e elas ecoaram mais alto no banheiro vazio quando botei os olhos no espelho. Eu não reconheço o meu rosto. Naqueles minutos se passaram de novo mais alguns anos. E vi aqueles olhos que você disse… que você disse não serem mais ao mesmos. Talvez, Clarice, tenha sido com aqueles olhos que vi; vi com total desprezo o rapaz em que me tornei. Se eu o soubesse, Clarice, faria de tudo p’ra ter mudado. Pior foi ter visto o que aconteceu, o que me fez ficar assim. O qu’eu fiz e precisei esquecer. O que me fez esquecer até o tempo e meus sentidos. Eu sei, me desculpe, este é o pior texto que você já ganhou, não era o que esperava, certo? E desculpe por pedir desculpas, isso é tão brega (tão Mário…), pior é pedir um favor desses aqui… Sim, me desculpa, eu ainda nem fiz o pedido. Pois bem, tenho um. Me ajuda a fugir? Fugir de mim. Me dá a mão de novo. Me diz quando eu devo abrir os olhos. Pode me levar de volta, se quiser. Será o dia mais longo da minha vida. O poente vai ser quase eterno. Vamos roubar o nosso último crisântemo. Agora eu já sujei demais esse papel, então já chega. Acabo o texto brega que você pediu, mas é certo que não pediu que fosse brega. Faz o seguinte, não dá ouvidos p’ro qu’eu disse. Pode queimar o papel. Não precisa fazer o qu’eu pedi, aliás, como poderia? Clarice, Faz só isso, meu bem: vamos tomar um café e a gente conversa. Eu gostei de ter aquele tempo de volta a pesar de tudo. Quero fazer de novo. Quando estivermos lá, faz de novo aquilo que você fez hoje com os olhos?"

Mário GuanumbiO ÚLTIMO CRISÂNTEMO
10 notas ▪ Há 4 dias 
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1.977 notas ▪ Há 5 dias  ▪ (source, via)


"Cuando conocí a Marina Galantes, ella ya era una mujer vieja y me contaba su sueño de ser madre. Yo no podría creer y hasta llegué a reír de su inocencia, pero ella, aunque las personas dijesen lo contrario, tenía fe. Cuando se puso embarazada, decían que ella se había quedado loca, pues no tenía marido y decía a todos que engendraba a un santo. La barriga crecía y todos decían que se trataba de una gravidez psicológica. Todavía el niño nació y todos se volvieron sorprendidos y las chismosas se pusieron avergonzadas. Yo llegué a conocer el chico tiempos después, y era un muchachito muy gracioso, a diferencia de su madre. Marina era una mujer muy alta y magra, tenía la piel gris y la voz sufrida, muchos la tenían como bruja. No obstante, después de su milagro, su casa se llenó de personas y alegría. El hijo de Marina Galantes a todos encantaba. Cuando Marina se quedó enferma, su hijo cuidó de ella hasta que muriese. Cuando Marina murió, dejó una carta a su hijo en que decía ser bruja y tenerlo robado, que su gravidez fue mentirosa. El hijo no dijo nada a nadie, solamente yo, que me torné su gran amigo, supe de todo. Yo no dije nada a nadie. El hijo de la bruja ya era un hombre, y a él le gustaba la fama de santo. Yo no pude creer, pues para mi, no importaba, sería él siempre santo desde que lo dijeron y como tal se comportaba. Pero hasta los santos mienten. Hasta los santos tienen ambiciones."

Daniel Canhoto, EL SANTO VANIDOSO
2 notas ▪ Há 5 dias 
 #arte  #texto  #conto  #cuento  #Daniel Canhoto


"Pensei que eu fosse forte e Deus me mostrou que eu era fraco. Pensei que eu
fosse fraco e Deus me mostrou que eu era forte."

Daniel Canhoto

(http://poesialudica.tumblr.com/)

13 notas ▪ Há 3 semanas  ▪ (via)


"…meu coração é um céu
pronto para pássaros
um papel
pronto para traços…"

— Daniel Canhoto (via poesialudica)
144 notas ▪ Há 3 semanas  ▪ (via)


Daniel Canhoto 
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http://stop-endo.tumblr.com

Daniel Canhoto 

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1 nota ▪ Há 3 semanas 
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230.685 notas ▪ Há 3 semanas  ▪ (source, via)


"Chegou em casa,
Botou os sapatos num canto,
Sentou-se.
Correu os olhos em volta:
Nada a fazer
Casa impecável…
O telefone, na penumbra
Não tinha significado.
Que frio…
Que silêncio…
A porta estava aberta
_____Para quem?
A porta estava aberta?
_____De quem?
Nunca havia ouvido tanto silêncio.
Na rua,
Nem os cães o faziam pensar
Que havia algum ser com pulmões
Além dele mesmo.
_____Ouvia apenas os seus pulmões exaustos.
Estava só

_____nesse mundo

_____nessa vida.
Sentiu-se só
Como se nunca mais fosse ver ou ouvir alguém.
Apertou os olhos
Os pelos se erriçaram
E…
Chorou.
Chorou até que o vento
Lá fora
Soou como uma voz familiar.
Reconheceu aquela voz
Que o lembrava que nunca
Ele poderia estrar sozinho.
Reencontrou o sorriso
Que havia botado num canto
E foi
De joelhos
Conversar com um grande amigo."

2 notas ▪ Há 3 semanas 
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renascendo:

Karen Colon

renascendo:

Karen Colon

18.430 notas ▪ Há 1 mês  ▪ (source, via)


"Passa lá em casa, eu tenho uns livros que não quero mais, ocupam muito espaço. Vai lá, escolhe alguns pra levar." Passei lá. O sol ia se pondo e a brisa era suave. Tentei demorar nos passos até lá, mas a ânsia por vê-la somada à ânsia pelos livros faziam os meus pés inquietos. Cadê aquela confusão de sempre embaralhando os tijolos da calçada? Cadê o turvo dos meus olhos? Eu posso jurar que dias antes havia uma alucinação parada bem ali, do outro lado da calçada (era pra estar lá, eu não entendo). Tudo o que eu tinha era impalpável. Eu também tinha que me livrar de uns livros, uns que eu nunca escrevi. Agora eu sinto a cabeça um pouco mais leve, até parece paz o que eu sinto. Toquei a campainha e ela abriu um sorriso. Os livros estavam amontoados. "Você leu todos esses?" "Sim, alguns até mais de uma vez." Eu não podia acreditar, ninguém leria aqueles livros. Alguns eram enormes, em outros não havia algo ilustrado na capa, o nome do autor de uns outros nunca mais seria lido em outra ocasião… Ela era jovem demais pra’quilo. Ela tinha os piores livros do mundo. Ela tinha os melhores livros do mundo. Eu também sou assim. Eu também leio os melhores livros que todos não conhecem. Eu sou um livro assim. "E este?" "Esse aí?" "Não tem título, nem autor, parece bom." "Então leva, mas vai se arrepender. Eu escrevi." Abri o livro. Li uma frase. “‘Eu queria te levar de volta, de volta na memória, lá onde ainda lembro de você.’ Pra onde você quer me levar?" Ela sorriu, foi até a cozinha, abriu uma garrafa de vinho. "Nós vamos nos levar até lá." Aquele já foi o meu lugar preferido; de manhã era silencioso e eu podia ler algum livro bebendo um café ou qualquer outra coisa; de tarde eu passava pra comprar um sorvete; de noite havia garotas e música boa. Agora eu não cabia lá dentro. A música tocou. Eu lembrava. A mesma música. Eu estaria de olhos fechados dançando comigo mesmo agora, mas não. "Mário, é aquela música. Vem, me dá a mão." "Não, eu quero ficar aqui." "Não pode ser você quem está falando." "Não é. Eu tenho algo grande dentro de mim agora, maior do que eu. Ele não pertence a este lugar." Ela me segui até la fora. Sentamos lá fora. Nunca tinha visto as estrelas tão baixas. "Então… ao que ele pertence?" Ela disse. "Não sei. E você?" " Eu pertenço à vida, Mário." "Eu ri. Ela não sabia, mas tinha tudo, tudo menos vida."

Mário Guanumbi, O GRANDE
13 notas ▪ Há 1 mês 
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nevver:

Shapes of things

nevver:

Shapes of things

2.750 notas ▪ Há 1 mês  ▪ (source, via)


1 nota ▪ Há 1 mês 
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