ORPHEU Nº 3








































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Anônimo: Tempos que não postas seus escritos. Saudade deles.

Eu também tenho saudade deles. Estou sem tempo e também me faltam desilusões. 

1 nota ▪ Há 2 dias 


eumechamoantonio:

Solidão, você vai ver só.

eumechamoantonio:

Solidão, você vai ver só.

161 notas ▪ Há 1 mês  ▪ (via)


SOLITÁRIA MULTIDÃO  

A solidão só há

Porque há quem anda pra lá da porta

            ah, eu detesto aqueles

            autores da Solidão.

Ah, que pesar nos acontece

Se nos esprememos para passar

Com esse exagero de solidão à mão

Por entre a expeça presença da multidão.

Ah, que maldade

A solidão há porque estes estão aqui comigo

            a solidão

            me acontece

            porque aqueles

            estão

            do lado de fora

            de minha

            solidão.

Solidão é existência

Solidão é estar a sós

Junto à minha presença.

– Daniel Canhoto

4 notas ▪ Há 1 mês 
 #arte  #poesia  #poeta  #poema  #escrito  #escrevi  #poeta on tumblr  #solidão  #lirismo  #Daniel Canhoto


68.231 notas ▪ Há 1 mês  ▪ (source, via)


EM DESALINHO 

O que acontece comigo

por que o percebo

se hoje foi um dia normal

lá no trabalho?

E por que sou eu o único

que

nesse fim de tarde onde o sol se vai poente

sinto

que o azul daquilo que é céu

está

prestes a desabar?

Por que demônios

meus passos se desalinham

no caminho

como se não mais o soubessem?

Por quê, demônios

sou eu o único a sentir um mal iminente

sob o contorno dessa calma?

Por que vou

com essa cara de quem gritaria

pela paz da estrada?

Já não suporto o peso da luz sobre os meus olhos

            não tenho medo do escuro

tenho medo d’aurora

dessa realidade que é desrespeitosa por demais.

Porque não creio mais

n’Ela

que Ela poderia vir, de lá do outro extremo dessa ponte…

Sabe, o homem que não ama

é um daqueles

que olha lá

pra baixo

e pensa:

“Ora, porque não?”

Pois, ora, por que não? 

— Daniel Canhoto

1 nota ▪ Há 1 mês 
 #arte  #poema  #poesia  #poeta on tumblr  #Daniel Canhoto  #o grito


atavus:

Lola Dupre - Exploding Human Eye, 2011

atavus:

Lola Dupre - Exploding Human Eye, 2011

2.418 notas ▪ Há 1 mês  ▪ (source, via)


"Você sabe o caminho
As calçadas que dão até aqui.
Nós sabemos já de antes de ontem
O que fizemos para estarmos aqui.
Porque não importa, meu bem
As horas que passam
E o frio que faz
Nós fomos buscar a paz do sol
Para essa manhã
E o poente é mérito nosso também."

2 notas ▪ Há 1 mês 
 #poeisa  #poema  #texto  #poeta on tumblr  #Daniel Canhoto


"Tento lembrar
Onde deixei
Murchar
Aquele buquê que, bem
Era pra te dar
E em que bolso estão os poemas
Que diziam que tudo qu’eu dizia começava com você.
Daí lembrei daquele raio de dia
Em que o Sol não raiava
Que raiva…
E parecia
Que só havia
Aqueles poemas
Que começavam com você…"

Daniel CanhotoSABERÁ DEUS PORQUÊ, AZUL RIMA COM VOCÊ
8 notas ▪ Há 1 mês 
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518.532 notas ▪ Há 2 meses  ▪ (source, via)


amarepervivere:

More?

amarepervivere:

More?

91 notas ▪ Há 2 meses  ▪ (source, via)


216 notas ▪ Há 2 meses  ▪ (via)


"Eu não gosto muito de falar sobre mim, mas vou falar do quê? Que mais eu tenho? Quem mais conheço? Ultimamente tenho conversado com um personagem curioso, um tal de eu-mesmo. Ele não é assim… digamos… genial, contudo tem a mente demasiadamente simples – sabe-se lá se vamos descrevê-la como inconsciente ou límpida, digamos então que é sobretudo natural. Tenho-lhe indagado coisas de complexidades absurdas e o mesmo me tem respondido sempre tão prontamente com, na verdade, outras subjetivas perguntas. Noutras horas me vem supondo que o que eu deveria fazer para solucionar certas questões que tenho posto diante seus olhos é o óbvio – sim, ele tem o óbvio sempre à mão e o põe diante mim quando meus olhos o esquece. Mas que absurdo é este que estou a contar? Pois sente-se, que você me pediu que contasse sobre ela… Pois bem, eu não sabia o que fazer com as mãos naquele instante – e isso nunca mias me havia acontecido – pois foi por esse nervosismo que não quis demonstrar que tomei as mãos dela nas minhas… Foi um gesto que pareceu desesperado, então nos olhamos por algum tempo enquanto ela esperava alguma reação de minha parte que justificasse tal gesto. Pude elogiar as cores do seu esmalte até que a distraísse de conversas sobre mãos e evoluísse para outros assuntos, mas sem que fosse necessário soltar-lhe as mãos. E sabe, aquele tal de eu-mesmo, com toda sua inconsciência, estava certo ao dizer que o medo é uma invenção e que seria interessante conhecê-la de perto – sem o tal do medo dessa vez. E por mais que pudesse ser apavorante a ideia de beijá-la, eu descobri que os lábios mais freneticamente inefáveis e inefavelmente frenéticos (estou exagerando, céus) são aqueles lábios impossíveis, fora das conjecturas do óbvio. O óbvio é um mal, meu caro, o improvável é o que dita as regras da felicidade. Pois bem, voltemos a falar daquela encantadora senhorita. E caminhávamos de mãos dadas a conversar e foi quando descobri naquela mulher algo mais que a máscara tirana que a tantos incomoda. Descobri que as suas flores preferidas são as margaridas – que por ventura também são de meu agrado – e que é de seu costume comprar pássaros a fim de libertá-los. Não foi só isso, meu caro, mas poucos sabem o sorriso que aquela tem escondido, amarrotado por detrás de suas autoritárias feições. Tem mais, meu caro… pouquíssimos sabem o pouco que outrora lhe foi dado nesta vida, ou, se digo melhor, o muito de sofrimento que lhe foi oferecido. E fiquei também sabido de sua nudez, como também da graça que é vê-la despir-se de tudo, meu caro, até daquela medonha máscara, como também fiquei sabido de certas marcas do passado… Pois bem, ninguém sabe, além de mim e agora também o senhor, eu-mesmo – pois guarde bem os seus segredos –, pois aquela tem medo de ver de volta o que causou aquelas marcas. Ela sabe bem o que sentem os canários à venda perto do seu trabalho, e ela disse não ser mais um daqueles passarinhos dourados – que se não fossem tão belos e inocentes, talvez tivessem outra sorte –, mas sabe ainda um canto… um que tive a sorte de ouvir, naquele dia, de um encantador pássaro negro, despido, diante minha aguda inconsciência."

Mário Guanumbi, O IMPROVÁVEL DITA AS REGRAS DA FELICIDADE
6 notas ▪ Há 2 meses 
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MEMÓRIA FALSA 

1 nota ▪ Há 3 meses 
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Anônimo: Estava vendo algumas postagens antigas do Coletivo poético e vi algumas suas. Em especial uma por título "Mar ria". Me lembrei que você tinha dito que não viu o mar. Nesse tempo pra cá, você viu ou ainda não?

Eu ainda não vi o mar. Triste, não? E é por esses e mais alguns outros motivos que não posso me considerar poeta.

0 notas ▪ Há 3 meses 


54.670 notas ▪ Há 3 meses  ▪ (source, via)